segunda-feira, julho 14, 2008

Das 3 ou mais vezes em que poderia não ser

DAS 3 OU MAIS VEZES EM QUE PODERIA NÃO SER

Possuía uma cidade que não era sua
Estava de costas e com os olhos fechados
e ela não era ela
No corpo de uma mulher,
suas pernas em movimento estancado-suave no metrô
Havia deixado seu filho muito longe do centro
Em sua face o amortecimento do cinza
e das oito horas consecutivas em que seria uma pessoa distante de si mesma.
Uma máquina feminina de fragilidade impossibilitada.
Era um homem também, aquele que não sentia o peso
pois como todo ser masculino deveria ser forte.
Buscava na ida do trabalho para a casa
o descanso.
Havendo chegado,
resmungar algumas coisas sem muita importância aos seus filhos
Mas iria amá-los acima de tudo,
por mais que não soubesse o que era o amor.

Ainda permutando-se entre um corpo e outro,
diria à todos que a cidade é um corredor de ir e vir,
palco para os seus negócios,
para seus pensamentos,
amores fixos e voláteis,
parede para desenho,
comida,
cama,
arquitetura.
E às vezes para o nada também.
Porque aqui não somos mulheres
nem homens.
As roupas, por mais que insistamos em figurinos cheios de cores,
esgarçadas e matizadas em branco e preto intermitente.

Somos algo entre o concreto e à água,
entre estar parado e ser fluido - o processo doloroso e gratificante de se erguer.