A ÁGUA
LIQUIDO: ombro para o braço,
antebraço
mão –
aquele homem escorrendo
sobre as partes de seu corpo.
Os cílios pestanejantes em
movimento bate-bate-bate-delicado
escorria pelo contorno dos olhos
e do nariz oleoso.
PÁRA!!!
Foi retomando sua forma amórfica;
aos poucos pastosa,
formando bolhas que explodiam rápidas,
depois ficaram cada vez mais pesadas
e quando não explodiam mais,
estava em si.
Caneta na mão,
algumas frases feitas,
esperava a vontade de mais um cigarro
ou das coisas possíveis, imediatas e verdadeira
como gozar ou morrer.
PÁRA!!!
Então ali, cercado de pessoas,
sentia aquela ânsia de vomito –
a cada segundo, um aperto no estômago.
E recordava-se nostálgico dos momentos suspensos
que o distanciava da realidade.
Depois, profeticamente retomava os segundos:
BRAÇOS, MÃO, NARIZ
tão cheios de verdade...
Um corpo rígido, estancado
esperando uma pulsação,
um movimento,
tão lento e pesado
como o da terra
girando em torno de si mesma.
E de longe, muito longe,
em outra galáxia,
poderia sentir o silêncio gordo
do movimento de rotação.
PÁRA!!!
É que não era verdade o silêncio!
Sempre, onde quer que fosse,
ou onde nunca estivesse,
ou mesmo no lugar que nunca existe,
haveria sempre o barulho
Ainda se formando na placenta
da sua mãe,
podia escutar aquele som oco,
de coisas nascendo em plasta.
Formava-se:
MÃOS, PELOS, OLHOS E NARIZ.
Todo movimento, sempre o persuadia
à verdade de seu corpo.
Não pediria que mais nada cessasse
quando aceitasse essa realidade.
