segunda-feira, junho 09, 2008

A Água

A ÁGUA

LIQUIDO: ombro para o braço,

antebraço

mão –

aquele homem escorrendo

sobre as partes de seu corpo.

Os cílios pestanejantes em

movimento bate-bate-bate-delicado

escorria pelo contorno dos olhos

e do nariz oleoso.

PÁRA!!!

Foi retomando sua forma amórfica;

aos poucos pastosa,

formando bolhas que explodiam rápidas,

depois ficaram cada vez mais pesadas

e quando não explodiam mais,

estava em si.

Caneta na mão,

algumas frases feitas,

esperava a vontade de mais um cigarro

ou das coisas possíveis, imediatas e verdadeira

como gozar ou morrer.

PÁRA!!!

Então ali, cercado de pessoas,

sentia aquela ânsia de vomito –

a cada segundo, um aperto no estômago.

E recordava-se nostálgico dos momentos suspensos

que o distanciava da realidade.

Depois, profeticamente retomava os segundos:

BRAÇOS, MÃO, NARIZ

tão cheios de verdade...

Um corpo rígido, estancado

esperando uma pulsação,

um movimento,

tão lento e pesado

como o da terra

girando em torno de si mesma.

E de longe, muito longe,

em outra galáxia,

poderia sentir o silêncio gordo

do movimento de rotação.

PÁRA!!!

É que não era verdade o silêncio!

Sempre, onde quer que fosse,

ou onde nunca estivesse,

ou mesmo no lugar que nunca existe,

haveria sempre o barulho

Ainda se formando na placenta

da sua mãe,

podia escutar aquele som oco,

de coisas nascendo em plasta.

Formava-se:

MÃOS, PELOS, OLHOS E NARIZ.

Todo movimento, sempre o persuadia

à verdade de seu corpo.

Não pediria que mais nada cessasse

quando aceitasse essa realidade.