NÃO HÁ MAIS POEMAS
Pensava na maldade
– a força dos objetos pontiagudos –
porque a bondade
– era tudo muito frágil, desde o algodão-doce até a flor sem pra-que-serve
que ela insistia em nunca ganhar –
jamais antecederia os momentos limpos
E sentia aquela culpa
- enjôo de cafeína e nicotina
que aos poucos vai
revestindo o estômago
e não sai
e não sai, não sai porque o momento posterior
segue-se tão cheio de medo quanto o anterior
então fuma e bebe, após e após e após, seu preto puro
e adoça-se depois com coca 0 –
por nunca saber o que sentir
ou ter sentido demasiado.
“É que mais vale a ignorância das letras
à compreensão através de Deus.”
Do metrô, da rua, da esquina
da próxima esquina
mesmo que fosse em linha reta
mesmo que chegasse em casa
ou se perdesse
ou não se perdesse mas também não quisesse chegar em casa,
isso tudo pertencia à falta,
porque falta é uma palavra completa.
Assim: FALTA.
E POEMA, ideologicamente pedindo amor,
são organizações de letras
tão ignorante quanto sua dor.
