terça-feira, maio 13, 2008

Não Há Mais Poemas

NÃO HÁ MAIS POEMAS

Pensava na maldade

– a força dos objetos pontiagudos –

porque a bondade

– era tudo muito frágil, desde o algodão-doce até a flor sem pra-que-serve

que ela insistia em nunca ganhar –

jamais antecederia os momentos limpos

E sentia aquela culpa

- enjôo de cafeína e nicotina

que aos poucos vai

revestindo o estômago

e não sai

e não sai, não sai porque o momento posterior

segue-se tão cheio de medo quanto o anterior

então fuma e bebe, após e após e após, seu preto puro

e adoça-se depois com coca 0 –

por nunca saber o que sentir

ou ter sentido demasiado.

“É que mais vale a ignorância das letras

à compreensão através de Deus.”

Do metrô, da rua, da esquina

da próxima esquina

mesmo que fosse em linha reta

mesmo que chegasse em casa

ou se perdesse

ou não se perdesse mas também não quisesse chegar em casa,

isso tudo pertencia à falta,

porque falta é uma palavra completa.

Assim: FALTA.


E POEMA, ideologicamente pedindo amor,

são organizações de letras

tão ignorante quanto sua dor.