A MENINA
Depois de Deus criar
as mulheres que
nascem – crescem - se reproduzem - e morrem,
ela não entendia
por meio de quem
viera a existir.
O fato é que se divertia
muito com sua existência.
Não se culpava pelas lágrimas:
em rompante as interrompia
para continuar a vivenciar
suas gargalhadas.
“Quem a criara?!”
Era como se,
ao ter criado a si mesma,
não houvesse projetado
tamanha fragilidade.
Mas mantinha isso
em segredo pois,
após impulsos e impulsos,
não possuía tempo
para perder
nos pontos da dor.
