A CONQUISTA DO PRESENTE
Com tinta,
ela limpa os móveis
roubados pela poeira.
O pó é o passado.
O presente torna-se pó
à medida que envelhece.
A necessidade do eterno
faz ressurgir os corpos esquecidos ali,
naquela cidadezinha:
casas pintadas a cal - cheiro oco,
madeira em piso é
comida de cupim - chá de fumo.
A tia Zefa
Pousa para a foto – linho engomado.
Filho do Zé
Quem diria!!! – virou homem de porte.
E Vó Maria
Vem jantar minina!!! – mão cheirando a alho
“A rua é de pedra
mas não a vejo!
Foi carregada pelo asfalto.”
Mãe me manda sua foto!
