A ENTREGA
Se flutua possuir, a cidade paira sobre ela.
Tão breve o seu amor.
Assim, articulava-se sobre o medo – mais exato que a entrega mútua.
“ Se não me preocupo, dói!”
Ocupava-se da vida sem a fluidez
dos instantes em que podia amar.
As maças dos rosto encostando no vidro
E os dedos escorrendo lisos na esquadria metálica
A sensação era de trigésimo quinto andar.
“Talvez mais alto um pouco.”
E a cidade acontecendo lá longe,
abaixo de si mesma também.
“Deve ser tão bom acontecer sem esperar o start das coisas...”
Ela não tocava em nada
Nos momentos de amor, ela pairava sobre a cidade.
